Com "Vale Cultura", Lula quer tirar público da frente da TV
O projeto de lei do Vale Cultura foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (23) e, se for aprovado no Congresso, vai disponibilizar R$ 50 para os trabalhadores gastarem no setor. Para ele, os brasileiros serão incentivados a assistir filmes, teatro e dança e dessa forma, não ficarão condenados a ficar em casa vendo programas, que ele considera ruins, na televisão.
Segundo informações do UOL, o presidente afirmou que a televisão mistura coisas boas e ruins, mais a maioria é do segundo tipo. "O objetivo da lei é garantir que o povo mais pobre que trabalha possa ter uma contribuição, que não é doação de empresário, porque vai ter isenção de Imposto de Renda. Se o companheiro não tem opção de divertimento, vai ficar em casa vendo televisão, pulando de canal em canal. Com o Vale ele pode fazer mais".
Durante um discurso a artistas, intelectuais e profissionais do ramo cultural em São Paulo, Lula disse que a televisão aberta é o único bem cultural que chega a mais de 20% da população, de acordo com dados do IBGE, e também lamentou que os cinemas tenham perdido espaço para as igrejas neopentecostais."Não adianta criticar a Universal porque comprou o cinema. A igreja compra cinema porque o cinema está fechado".
Com o projeto enviado por Lula, os trabalhadores poderão comprar ingressos de cinema, dança, museus, shows e teatro, além de comprar CDs, DVDs e livros com cartão. Em 45 dias, a Câmara dos Deputados deve avaliar a proposta e, se aprovada seguirá para o Senado.
De acordo com Juca Ferreira, ministro da Cultura, o vale pode chegar as empresas fortalecido, já no início de 2010. As companhias que aderirem ao programa poderão abater 1% do imposto de renda. Já no caso dos trabalhadores, os que recebem até cinco salários mínmos pagarão até 10% do vale, os que têm renda maior do que cinco salários contarão com descontos de 20% a 90%.
PolíticaLula questionou o interesse de alguns políticos em incentivar o cinema nacional. Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, estava presente no evento e foi lembrado pelo presidente. "Eu recebo 5.000 prefeitos em Brasília. Kassab, você já viu algum prefeito que pedia um cinema? Não sei como fazer uma política de distribuição de cinema. Precisamos fazer um grupo para discutir isso melhor".
O presidente também disse que ele foi o primeiro a ouvir sugestões e críticas do setor sem arranjar briga. "Como não sou um cara muito letrado, eu não proíbo as coisas. Qualquer boa idéia, eu aceito", finalizou.
Redação Adnews