Para AT&T, futuro está na área de banda larga móvel
Em uma ala do campus corporativo da AT&T nos arredores do bairro chique de Buckhead, em Atlanta, um grupo de funcionários da área de telefonia sem fio faz negócios de uma maneira pouco usual nesta gigante das telecomunicações. A equipe recém-formada, liderada por uma dúzia de executivos, opera mais como uma companhia iniciante do que como parte da AT&T, uma companhia criada há 132 anos.
E isso por um bom motivo: a missão dessa equipe é desenvolver maneiras inovadoras das pessoas usarem a rede de telefonia móvel da AT&T. A idéia é ir além dos telefones celulares e atrelar à internet todos os tipos de aparelhos eletrônicos - de câmeras digitais e dispositivos de navegação a parquímetros -, para mudar a maneira como as pessoas vivem e trabalham.
Apesar da organização operacional incomum, o executivo-chefe da AT&T, Randall L. Stephenson, diz que isso não é algo estranho à companhia. Ele acredita que descobrir maneiras de tirar vantagem do acesso móvel à internet será indispensável para o crescimento da AT&T. "É a iniciativa estratégica. É o modelo de negócios", diz Stephenson em uma entrevista. "Isso dará suporte a tudo o que vamos fazer nos próximos cinco a dez anos."
A equipe de Atlanta, chamada oficialmente de Grupo de Dispositivos Emergentes, é liderada por Glenn Lurie, um veterano do setor com 43 anos, que ganhou experiência administrando a parceria da AT&T com a Apple no iPhone. Stephenson apoiou suas grandes expectativas, dando a Lurie grande liberdade para testar idéias e estabelecer parcerias adicionais. O que ele quer em troca é que a equipe ajude a AT&T a ganhar participação num mercado - de ligação de aparelhos eletrônicos a redes de telefonia sem fio - que até 2013 deverá estar avaliado em US$ 93 bilhões.
Os executivos da AT&T não revelam exatamente que dispositivos e aparelhos eles estarão oferecendo. Mas pessoas a par dos planos da companhia afirmam que um dos produtos que estão a caminho é um leitor eletrônico de livros, parecido com o Kindle da Amazon.com. A AT&T poderá se associar a companhias que fabricam e-books concorrentes, como a Sony ou a iniciante Plastic Logic. Também nos planos está um aparelho portátil de navegação que permitirá aos motoristas usar a rede da AT&T para recolher dados sobre o trânsito em tempo real. E há também um aparelho que permite aos motoristas alertarem outros motoristas sobre a existência de radares, ao toque de um botão. A AT&T está trabalhando com os fabricantes no desenvolvimento dos produtos. Assim como faz no caso do iPhone, a companhia pretende vender os aparelhos por meio de suas lojas próprias e poderá dividir as receitas dos serviços via rede wireless (sem fio) com os fabricantes. "Precisamos quebrar as regras", diz Lurie.
No futuro, a AT&T pretende oferecer aparelhos mais avançados: câmeras digitais que se conectam à internet para o compartilhamento e impressão de fotografias; instrumentos que ajudarão agências municipais a monitorarem os parquímetros à distância; e dispositivos que vão alertar as empresas quando elas terão de substituir doces ou refrigerantes nas máquinas automáticas de venda. "Em três ou quatro anos, não será concebível um usuário ter quatro ou cinco aparelhos atados a um plano wireless", afirma o consultor de telefonia móvel Chetan Sharma.
Um nativo de Oklahoma que começou a trabalhar no departamento de tecnologia da informação da Southwestern Bell há 27 anos, Stephenson sucedeu Edward E. Whitacre como executivo-chefe em 2007. Whitacre, que acaba de ser nomeado presidente do conselho de administração da General Motors (GM), transformou a Southwestern Bell na nova AT&T com uma série de grandes aquisições que somaram mais de US$ 200 bilhões. Mas como não sobraram muitos alvos grandes, os dias dos meganegócios para buscar o crescimento terminaram.
E mais: o próprio crescimento da AT&T está perdendo força. O tradicional serviço de telefonia fixa está encolhendo cerca de 10% ao ano, e o crescimento da telefonia sem fio caiu tanto que poderá não fazer mais diferença. Analistas acreditam que as vendas cairão US$ 1 bilhão este ano em relação aos US$ 124 bilhões de 2008. No ano que vem, a AT&T poderá perder para Apple o direito exclusivo de vender o iPhone nos EUA, o que vem ajudando a atrair milhões de novos assinantes.
Fonte: Valor Econômico