Para quem não sabe do que trata este assunto tão debatido nos últimos meses, eis um tutorial para tirar todas as dúvidas.
É, eu sei. Você tem ouvido esse termo repetidas vezes e deve imaginar o que realmente significa. Tenho acompanhado a discussão há cinco anos e, por vezes, as reviravoltas me confundem. Afinal, o fim da neutralidade da rede poderá afetar o que posso e o que não posso ver na web, ou será que tudo não passa de um artigo da moda, limitado a especialistas, sabichões e políticos que adoram levantar o assunto em festas e encontros políticos? Bem, na verdade, acho que é um pouco dos dois.
Como ajuda aos que querem saber mais sobre essa polêmica, coloquei algumas perguntas básicas e respostas simples no texto a seguir. Também servirá para explicar, em uma linguagem livre de termos técnicos, o contexto atual, mostrando de que modo os resultados dos debates poderão alterar definitivamente a internet como a conhecemos.
O que é neutralidade de rede?
Resumidamente, o conceito “neutralidade de rede” é a ideia de que provedores de Internet não têm o direito de bloquear, degradar ou cobrar um valor extra pelo conteúdo legal e os aplicativos que rodam na rede – um preceito que tem guiado a internet desde a sua criação, mas que nunca foi definido na forma de lei.
Por que devo me importar?
Em última instância, a violação da neutralidade da rede pode impedi-lo de acessar conteúdos ou serviços pelos quais você tenha pago – o primeiro desdobramento conhecido se deu quando uma operadora regional proibiu seus usuários de usar VoIP (Voz sobre IP) e, mais tarde, a Comcast usou métodos questionáveis para evitar que seus clientes fizessem muitos downloads.
Em 2005, o CEO da SBC, Ed Whitacre, que naquela época estava prestes a comprar a AT&T, tornou a discussão pública ao dar a seguinte declaração inflamada em entrevista à Business Week:
“Por que eles (empresas de conteúdo) podem usar meus cabos? Nesse sentido, a internet não pode ser de graça, já que nós e as companhias de banda-larga fizemos um grande investimento, e quem espera usar esses cabos de graça, seja a Google, seja a Yahoo ou a Vonage, seja outro qualquer, é maluco”.
(Paul Kapustka)
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